Empreendimentos AQUA com consultoria Inovatech
21/02/2010
A Fundação Carlos Alberto Vanzolini, instituição privada de ensino e pesquisa criada por professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), lançou o primeiro selo verde para prédios e conjuntos residenciais, com critérios baseados na realidade ambiental brasileira. Ou seja, é considerado, por exemplo, que cada região do país tem suas particularidades climáticas e, por isso, precisa de diferentes soluções. Construções comerciais e de serviços, como lojas, escritórios, escolas e hotéis, são atendidas pela certificação desde 2008.
O coordenador executivo do Processo Aqua, o engenheiro civil e professor da USP, Manuel Carlos Reis Martins, explica que a certificação de uma construção pelo selo atesta que ela é realmente sustentável e que atendeu a uma série de exigências para isso. “Muitas vezes um empreendimento se diz sustentável, mas o consumidor não tem como saber ao certo se é verdade e nem o quanto aquela construção se esforçou para não gerar impacto ambiental”. Como benefícios diretos, o morador de um prédio ou conjunto residencial com o Processo Aqua teria uma garantia de maior economia de energia, água e recursos para a manutenção e conservação do imóvel, além de um ambiente mais confortável, em comparação com uma construção convencional.
Atualmente, 14 empreendimentos comerciais brasileiros (nenhum no Paraná) aderiram ao Processo Aqua, sete já foram certificados em 2009, a maior parte ainda na fase de idealização. Apenas uma loja da Leroy Merlin, em Niterói (RJ), recebeu o Processo Aqua completo, nas três fases. Ainda não há inscritos do mercado residencial.
Com o nome de Referencial Técnico de Certificação da Construção Sustentável – Processo Aqua (Alta Qualidade Ambiental) Habitacional, o selo é uma adaptação da certificação francesa HQE (Haute Qualité Environnementale) do Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (ou Centro Científico e Técnico da Construção), órgão francês de renome mundial na área de pesquisas na construção civil. A versão francesa, em funcionamento no país europeu desde 1990, certificou 50 milhões de metros quadrados, ou 800 mil unidades habitacionais com alta qualidade ambiental.
Para obtenção do Processo Aqua, o construtor precisa atender um total de 14 categorias de critérios de desempenho nas três fases de um empreendimento imobiliário: programa (a idealização da construção), concepção (a elaboração do projeto completo) e a realização (obra e resultados depois de pronto). “Nesse ponto, o Aqua se difere de outras certificações porque as soluções para a contemplação dessas 14 categorias não são engessadas (pré-definidas em uma lista), mas livres”. Questões como a escolha de uma tinta ou o desenho de um sistema de captação da água da chuva podem ser pensadas de acordo com a realidade de cada região brasileira.
Entre os critérios para a obtenção do Processo Aqua está a utilização de equipamentos elétricos com o Selo Procel, que garante a economia e a eficiência energética dos aparelhos; a medição individual de água e gás; e a existência de locais de coletas de resíduos nas áreas externas.
A avaliação desses critérios de desempenho é feita pessoalmente por profissionais da Fundação Vanzolini e o empreendimento recebe um certificado para cada uma das três fases da construção. “No Processo Aqua, o acompanhamento e certificação nas três fases são obrigatórios e feitos na sequência”, frisa Martins. Em outras certificações, uma construção pode ser certificada apenas depois de pronta, e não no projeto, e vice-versa, não precisa seguir uma ordem nem passar por todas as etapas (ideia, projeto e construção). O certificado sai 30 dias depois da avaliação
Gazeta do Povo/PR
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